segunda-feira, 4 de abril de 2011

Plano de Trabalho Docente - Pré-modernismo

Colégio Estadual Barão do Cerro Azul
Ensino Fundamental, Médio, Normal e Profissional.
Plano de Trabalho Docente – Formaçao de Docentes
Língua Portuguesa – 3ª. série A Professora: Milene Marczal Duração: 08 aulas

Tema: Vanguardas européias - Pré - Modernismo
Objetivos:
• identificar as vanguardas européias: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo;
• conhecer e analisar textos de autores pré - modernistas;
• contextualizar o conhecimento com outras formas de arte produzidas neste período
Desenvolvimento:
• Exibir dois exemplares de telas produzidas pelas Vanguardas Europeias .O objetivo dessa apresentação é levar o aluno a ter contato com a arte. Olhar, ver, sem comparar, conhecer, elas foram produzidas por Umberto Boccioni, 1911 e por Egon Schiele, 1917, respectivamente.
• Cada grupo pesquisará um desses movimentos e apresentará à classe. Porém, antes de começarem a pesquisar oferecer uma pequena visão sobre o assunto, a partir do texto:

Vanguardas Europeias

Vanguardas Europeias são nomes atribuídos a movimentos culturais que começaram na Europa no início do século XX e representam um tempo de ruptura com as estéticas precedentes, como o Simbolismo.
Nesse período, a Europa estava em clima de contentamento diante dos progressos industriais, dos avanços tecnológicos, das descobertas científicas e médicas, como: eletricidade, telefone, rádio, telégrafo, vacina anti-rábica, os tipos sanguíneos, cinema, RX, submarino, produção do fósforo. Ao mesmo tempo em que, a disputa pelos mercados financeiros (fornecedores e compradores) ocasionou a I Guerra Mundial. O clima estava propício para o surgimento das novas concepções artísticas sobre a realidade.
Surgiram inúmeras tendências na arte, principalmente manifestos advindos do contraste social: de um lado a burguesia eufórica pela emergente economia industrial e, de outro lado, a marginalização e descontentamento da classe proletária e a intensificação do desemprego (especialmente após a queda da bolsa de Nova Iorque em 1929). O Brasil, por sua vez, passou de escravocrata para mão de obra livre, da Monarquia para República. Os movimentos culturais desse período, responsáveis por uma série de manifestos, são: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, chamados de Vanguardas Europeias. “Vanguardas”, por se tratarem de movimentos pioneiros da arte e da cultura e “europeias” por terem origem na Europa.

• Em seguida, um trabalho em grupo. Dividir a turma em cinco grupos e os levar ao laboratório de informática para pesquisarem sobre cinco movimentos que se ligam ao Pré- Modernismo e Modernismo: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, os quais constituíram as Vanguardas Europeias. Sugestões de sites para consulta das Vanguardas Europeias:
http://www.grupoescolar.com/materia/vanguardas_europeias.html
http://www.meuartigo.brasilescola.com/literatura/vanguardas-europeias-expressionismo.htm
• Depois da distribuição de tarefas, deixá-los trabalhar mas sempre com orientação. Os alunos precisarão entender os textos, confeccionar material didático , planejar a apresentação e imprimir material para ser entregue aos colegas.
• Apresentação dos trabalhos de pesquisa, discutir, complementando o conteúdo ao final de cada apresentação, de modo a garantir que todos os alunos apreendam o que representou cada movimento de vanguarda.
• Após as apresentações , apresentar Power point com a definição e características do Pré-Modernismo seus principais autores do , temas explorados por eles e principais obras. ( copia para alunos)

Contexto histórico

• O momento histórico brasileiro interferiu na produção literária, marcando a transição dos valores éticos do século XIX para uma nova realidade que se desenhava, essencialmente pautado por uma série de conflitos como o fanatismo religioso do Padre Cícero e de Antônio Conselheiro e o cangaço, no Nordeste, as revoltas da Vacina e da Chibata, no Rio de Janeiro, as greves operárias em São Paulo e a Guerra do Contestado (na fronteira entre Paraná e Santa Catarina); além disso a política seguia marcadamente dirigida pela oligarquia rural, o nascimento da burguesia urbana, a industrialização, segregação dos negros pós-abolição, o surgimento do proletariado e: finalmente, a imigração europeia. Além desses fatos somam-se as lutas políticas constantes pelo coronelismo, e disputas provincianas como as existentes no Rio Grande do Sul entre maragatos e republicanos.
• Outras manifestações artísticas: a música assistiu, desde o lançamento da primeira gravação feita no país por Xisto Bahia, a uma penetração nas camadas mais elevadas de manifestações até então restritos às camadas mais populares – ritmos tais como o maxixe, toada, modinha e serenata. É o tempo em que a capital do país, então o Rio de Janeiro, assiste ao crescimento do carnaval, ao sucesso de compositores como Chiquinha Gonzaga e o nascimento do samba em sua versão recente. Na pintura, tendo como principal foco a Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, vigorava o academicismo, passando despercebida a exposição feita em 1913 pelo lituano Lasar Segall. Apenas em 1917 uma forte reação à exposição de Anita Malfatti expõe o confronto que redundaria na Semana de Arte Moderna de 1922.
• Embora vários autores sejam classificados como pré-modernistas, este não se constituiu num estilo ou escola literária, dado a forte individualidade de suas obras, mas essencialmente eram marcados por duas características comuns: conservadorismo - traziam na sua estética os valores naturalistas; renovação - demonstravam íntima relação com a realidade brasileira e as tensões vividas pela sociedade do período.
• O termo pré-modernismo parece haver sido criado por Tristão de Athayde, para designar os "escritores contemporâneos do neo-parnasianismo, entre 1910 e 1920.
• Euclides da Cunha, com Os Sertões, onde aborda de forma jornalística a Guerra de Canudos; a obra, dividida em três partes (A Terra, O Homem e A Luta), procura retratar um dos maiores conflitos do Brasil. O sertão baiano, onde se deram as lutas, era um ambiente praticamente desconhecido dos grandes centros, e as lutas marcaram a vida nacional: o termo favela, que tornou-se comum depois, designava um arbusto típico da caatinga, e dava nome a um morro em Canudos.
• Graça Aranha, com Canaã, retrata a imigração alemã para o Brasil.Nesse livro tinha o constante conflito entre dois imigrantes Milkau e Lentz que discutiam se o dinheiro era mais importante do que o amor.
• Lima Barreto, que faz uma crítica da sociedade urbana da época, com Triste Fim de Policarpo Quaresma e Recordações do Escrivão Isaías Caminha, e O Homem Que Sabia Javanês
• Monteiro Lobato, com Urupês e Cidades Mortas, retrata o homem simples do campo numa região de decadência econômica; Ele também foi um dos primeiros autores de literatura infantil, desse modo, transmitindo ao público infantil valores morais, conhecimentos do Brasil, tradições, nossa língua. Destaca-se no gênero conto. E foi, também, um dos escritores brasileiros de maiores prestígios.
• Augusto dos Anjos que, segundo alguns autores, trazia elementos pré-modernos. embora no aspecto linguístico tenda para o realismo-naturalismo, em seus Eu e Outras Poesias.
• Outros autores:
• Valdomiro Silveira, com Os Caboclos, e Simões Lopes Neto, com Lendas do Sul e Contos Gauchescos, precursores do regionalismo, retratam a realidade do sul brasileiro.
• Figuram como escritores desse período, embora guardem no estilo mais elementos das escolas precedentes, autores como Afonso Arinos, Alcides Maya e Coelho Neto.
Fragmentos estudados ( cópia para os alunos):

Euclides da Cunha
1- (Fragmento de Os sertões)
(Antônio Conselheiro) Pregava contra a República; é certo.
O antagonismo era inevitável. Era um derivativo à exacerbação mística; uma variante forçada ao delírio religioso.
Mas não traduzia o mais pálido intuito político: o jagunço é tão inapto para apreender a forma republicana como a monárquico-constitucional.
Ambas lhe são abstrações inacessíveis. É espontaneamente adversário de ambas. Está na fase evolutiva em que só é conceptível o império de um chefe sacerdotal ou guerreiro.
Insistamos sobre esta verdade: a guerra de Canudos foi um refluxo em nossa história. Tivemos, inopinadamente, ressurrecta e em armas em nossa frente, uma sociedade velha, uma sociedade morta, galvanizada por um doudo.
(...)
Vivendo quatrocentos anos no litoral vastíssimo, em que palejam reflexos da vida civilizada, tivemos de improviso, como herança inesperada, a República. Ascendemos, de chofre, arrebatados na caudal dos ideais modernos, deixando na penumbra secular em que jazem, no âmago do país, um terço da nossa gente. Iludidos por uma civilização de empréstimos; respigando, em faina cega de copistas, tudo o que de melhor existe nos códigos orgânicos de outras nações, tornamos, revolucionariamente, fugindo ao transigir mais ligeiro com as exigências da nossa própria nacionalidade, mais fundo o contraste entre o nosso modo de viver e o daqueles rudes patrícios mais estrangeiros nesta terra do que os imigrantes da Europa. Porque não no-los separa um mar, separam-no-los três séculos...

Lima Barreto
2- (Fragmento do primeiro capítulo de Triste fim de Policarpo Quaresma.)
Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde. Havia mais de vinte anos que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era subsecretário, bongava pelas confeitarias algumas frutas, comprava um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria francesa.
Não gastava nesses passos nem mesmo uma hora, de forma que, às três e quarenta, por ai assim, tomava o bonde, sem erro de um minuto, ia pisar a soleira da porta de sua casa, numa rua afastada de São Januário, bem exatamente às quatro e quinze, como se fosse a aparição de um astro, um eclipse, enfim um fenômeno matematicamente determinado, previsto e predito.
A vizinhança já lhe conhecia os hábitos e tanto que, na casa do Capitão Cláudio, onde era costume jantar-se aí pelas quatro e meia, logo que o viam passar, a dona gritava à criada: "Alice, olha que são horas; o Major Quaresma já passou."
(...)
Estava num aposento vasto, com janelas para uma rua lateral, e todo ele era forrado de estantes de ferro.
Havia perto de dez, com quatro prateleiras, fora as pequenas com os livros de maior tomo. Quem examinasse vagarosamente aquela grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua reunião.
Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira, da Prosopopéia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar (todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros. Podia-se afiançar que nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta ora lá faltava nas estantes do major.
(...)
(...)A razão tinha que ser encontrada numa disposição particular de seu espírito, no forte sentimento que guiava sua vida. Policarpo era patriota. Desde moço, aí pelos vinte anos, o amor da Pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. Nada de ambições políticas ou administrativas; o que Quaresma pensou, ou melhor: o que o patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações sobre os seus recursos, para depois então apontar os remédios, as medidas progressivas, com pleno conhecimento de causa.
Não se sabia bem onde nascera, mas não fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer regionalismo; Quaresma era antes de tudo brasileiro. Não tinha predileção por esta ou aquela parte de seu país, tanto assim que aquilo que o fazia vibrar de paixão não eram só os pampas do Sul com o seu gado, não era o café de São Paulo, não eram o ouro e os diamantes de Minas, não era a beleza da Guanabara, não era a altura da Paulo Afonso, não era o estro de Gonçalves Dias ou o ímpeto de Andrade Neves - era tudo isso junto, fundido, reunido, sob a bandeira estrelada do Cruzeiro.
Logo aos dezoito anos quis fazer-se militar; mas a junta de saúde julgou-o incapaz. Desgostou-se, sofreu, mas não maldisse a Pátria. O ministério era liberal, ele se fez conservador e continuou mais do que nunca a amar a "terra que o viu nascer". Impossibilitado de evoluir-se sob os dourados do exército, procurou a administração e dos seus ramos escolheu o militar.
Era onde estava bem. No meio de soldados, de canhões, de veteranos, de papelada inçada de quilos de pólvora, de nomes de fuzis e termos técnicos de artilharia, aspirava diariamente aquele hálito de guerra, de bravura, de vitória, de triunfo, que é bem o hálito da Pátria.

Monteiro Lobato
3- (Fragmento de Zé Brasil)
Zé Brasil era um pobre coitado. Nasceu e sempre viveu em casebres de sapé e barro, desses de chão batido e sem mobília nenhuma – só a mesa encardida, o banco duro, o mocho de três pernas, uns caixões, as cuias... Nem cama tinha. Zé Brasil sempre dormiu em esteiras de tábua. Que mais na casa? A espingardinha, o pote d’água, o caco de sela, o rabo de tatu, a arca, o facão, um santinho na parede. Livros, só folhinhas – para ver as luas e se vai chover ou não, e aquele livrinho do Fontoura com a história do Jeca Tatu.
-Coitado deste Jeca! dizia Zé Brasil, olhando para aquelas figuras. Tal qual eu. Tudo que ele tinha, eu também tenho. A mesma opilação, a mesma maleita, a mesma miséria e até o mesmo cachorrinho. Pois não é que meu cachorro também se chama Jolí?...
A vida de Zé Brasil era a mais simples. Levantar de madrugada, tomar um cafezinho ralo (“escolha” com rapadura), com farinha de milho (quando tinha) e ir para a roça pegar no cabo da enxada. O almoço ele o comia lá mesmo, levado pela mulher; arroz com feijão e farinha de mandioca, às vezes um torresmo ou um pedacinho de carne seca para enfeitar. Depois cabo da enxada outra vez, até à hora do café do meio-dia. E novamente a enxada, quando não a foice ou o machado. A luta com a terra sempre foi brava. O mato não pára nunca de crescer, e é preciso ir derrubando as capoeiras e capoeirões porque não há o que se estrague tão depressa como as terras de plantação.
Na frente da casa, o terreirinho, o mastro de Santo Antônio. Nos fundos, o chiqueirinho com um capadete engordado, a árvore onde dormem as galinhas, e a “horta” – umas latas velhas num girauzinho, com um pé de cebola, outro de arruda e mais remédios – hortelã, cidreira, etc. no girau, por causa da formiga.
-Ah, estas formigas me matam! Dizia o Zé com cara de desânimo. Comem tudo que a gente planta.
E se alguém da cidade, desses que não entendem de nada desta vida, vinha com histórias de “matar formiga”, Zé dizia: “Matar formiga!... Elas é que matam a gente. Isso de matar formiga é só para os ricos, e muito ricos. A formicida está pela hora da morte – e cada vez pior, mais falsificada. E que me adianta matar um formigueiro aqui neste sítio, se há tantos formigueiros nos vizinhos? Formiga vem de longe. Já vi um olheiro que ia sair a um quilômetro de distancia. Suponha que eu vendo a alma, compro uma lata de formicida e mato aquele formigueiro ali do pastinho. Que adianta? As formigas do Chico Vira, que é o meu vizinho deste lado, vem alegrinhas visitar as minhas plantas”.
III
A gente da cidade – como são cegas as gentes das cidades!... Esses doutores, esses escrevedores nos jornais, esses deputados, paravam ali e era só crítica: vadio, indolente, sem ambição, imprestável ... não havia o que não dissessem do Zé Brasil. Mas ninguém punha atenção nas doenças que derreavam aquele pobre homem – opilação, sezões, quanta verminose há, malária. E cadê doutor? Cadê remédio? Cadê jeito? O jeito era sempre o mesmo: sofrer sem um gemido e ir trabalhando doente mesmo, até não agüentar mais e cair como cavalo que afrouxa. E morrer na velha esteira – e feliz se houver por ali alguma rede em que o corpo vá para o cemitério, senão vai amarrado com cipó.
-Mas você morre, Zé, e sua alma vai para o céu, disse um dia o padre – e Zé duvidou.Está aí uma coisa que só vendo! Minha idéia é que nem deixam minha alma entrar no céu. Tocam ela de lá, como aqui na vida o coronel Tatuíra já me tocou das terras dele.
-Por que, Zé?
IV
Eu era “agregado” na fazenda do Taquaral. O coronel me deu lá uma grota, fiz minha casinha, derrubei mato, plantei milho e feijão.
-De meias?
-Sim. Metade para o coronel, metade para mim.
-Mas isso dá, Zé?
-Dá para a gente ir morrendo de fome pelo caminho da vida – a gente que trabalha e planta. Para o dono da terra é o melhor negócio do mundo. Ele não faz nada, de nada, de nada. Não fornece nem uma foice, nem um vidrinho de quina para a sezão – mas leva metade da colheita, e metade bem medida – uma metade gorda; a metade que fica com a gente é magra, minguada... E a gente tem de viver com aquilo um ano inteiro, até que chegue tempo de outra colheita.
Graça Aranha
(Fragmentos de Canaã)

A TRAGÉDIA DE MARIA
E o que tinha de acontecer, acontecia ... No meio do cafezal que estava a limpar, Maria, que já desde a véspera vinha sofrendo, sentiu repentinamente uma dor aguda nas entranhas, como de uma violenta punhalada. Caiu pesada no chão, o corpo se lhe retorceu todo e o rosto desmaiado desfigurou-se numa contorção medonha. A dor fora viva e passageira e logo que a rapariga voltou a si, assaltada por um grande terror, o seu primeiro movimento foi de se recolher a casa e aí, no abrigo doméstico, esperar o desenlace da crise. Teve, porém, medo de afrontar a ira dos patrões, que dia e noite ameaçavam despedi-Ia, para se furtarem ao incômodo do tratamento.
Tomada de medo, abandonou o serviço e, afastando-se o mais possível da casa, deixou o cafezal e aventurou-separa o lado do rio, onde era mais deserto. Aí, no terreno inculto e bravio, as únicas árvores que havia eram esparsos cajueiros muito derreados, esgalhando-se pelo chão. Maria sentou-se debaixo duma dessas árvores que naquela época estavam em flor.
Em torno fungavam os porcos, remexendo as folhas secas do cajueiro, chegando mesmo alguns mais atrevidos,mais vorazes, a lamber afoitamente o chão ... Maria, horrorizada, queria afugentá-Ios, mas as dores a retomavam, imperiosas; nem mesmo tinha forças para um grito agudo, e só podia gemer estrebuchando numa mistura de sofrimento e de gozo, que a estimulava estranhamente ... E os porcos persistiam sinistros, ameaçadores ... Subitamente, ela caiu extenuada, largando a árvore ... Um vagido de criança misturou-se aos roncos dos animais ... A mulher fez um cansado gesto para apanhar o filho, mas exangue, débil, o braço morreu-lhe sobre o corpo. Uma vertigem turbou-lhe a visão, enfraqueceu-lhe os ouvidos, e numa volúpía de bem-estar parecia deliciosamente suspensa nos ares, longe da Terra, longe do sofrimento, ouvindo no arfar dos porcos o resfolegar longínquo e adormecido do mar ... E os animais sedentos enchafurdavam-se, guinchando, atropelando-se no sangue que corria, Um novo gemido saiu do peito de Maria, despertando-a, em sobressalto. Os porcos afastaram-se espantados, e ela, meio consciente, contorceu-se, mirou atônita a criança, que vagia estrangulada.
Augusto dos Anjos
***

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

***

O Morcego

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

• Para finalizar os trabalhos,conversar com os alunos sobre o assunto, esclarecendo dúvidas, fazendo um retrospecto do conteúdo.
• Para fixação dos conteúdos, resolver atividades do livro didático:

Avaliação
• Observar o envolvimento, responsabilidade e crescimento dos alunos durante a realização das atividades. A avaliação será processual.
• Prova objetiva com 10 questões sobre o tema estudado. Peso 10

Referências:
Português Linguagens, William Roberto Cereja – Thereza Cochar Magalhães, Editora Saraiva, 2005, SP
Proposta Curricular de Língua Portuguesa- Colégio Estadual Barão do Cerro azul
Literatura sem segredos – Clenir Bellezi de Oliveira, Volume 2; Escala Educacional,2007, SP
http://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/BaleianaRede/Edicao06/5b_O_Barulhodarua_e_o_Guesa.pdf
http://3.bp.blogspot.com/_CY628ty-pRw/S30JOGW3TYI/AAAAAAAAFac/9Edsv7_0Hy4/s1600-h/telas14.jpg
http://www.mundoeducacao.com.br/literatura/vanguardas-europeias.
http://www.grupoescolar.com/materia/vanguardas_europeias.html
http://www.meuartigo.brasilescola.com/literatura/vanguardas-europeias-expressionismo.htm
Disponível em: http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/46893842115461617422202/p0000003.htm
http://lpniceia.wordpress.com/leitura/
http://lobato.globo.com/misc_zebrasil.asp
http://www.vestibular1.com.br/enem/aulas/literatura/pre_modernismo.pdf
http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/pre-modernismo/aanjos.htm

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